Hanna Oliveira. Saúde. Sustentabilidade Emocional: a sustentabilidade está chegando a uma nova etapa, a emocional, que coloca a saúde mental dos trabalhadores no centro da estratégia das empresas. Saiba como preparar sua companhia para esse cenário. Você RH nº 75, de agosto/setembro de 2021.
Mais do que um crachá
O psiquiatra e psicólogo suíço Carl Jung já dizia que a construção do nosso ser não está restrita a somente um aspecto da individualidade, mas a várias facetas que se conectam para formar quem realmente somos. É por isso que colocar todo o foco em apenas um dos lados daquilo que estabelece nossa vida — como o trabalho — pode ser altamente perigoso para a saúde física e mental. Esse foi o erro de Sofia Esteves e o que a levou a ter um episódio tão grave de burnout. “No trabalho, fui pela primeira vez reconhecida como ser humano, e isso foi determinante para que eu colocasse muito do meu prazer e realização ali”, explica Sofia.
Assim como a fundadora da Cia de Talentos, muitos profissionais apaixonados pelo que fazem [...] não conseguem estabelecer limites e acabam ultrapassando a barreira do excesso de trabalho. Esse comportamento, que durante muito tempo foi estimulado e até premiado pelas companhias, criou [...] pessoas que adoecem e que deixam de colocar esforços em outras áreas da vida. O problema é que uma hora o organismo grita — e bem alto. “O nosso corpo não foi feito para ficar muito tempo em produção”, diz a neuropsicóloga Tamara. “[...] O esgotamento mental ocorre quando existe um volume muito grande de trabalho sem uma válvula de escape e o corpo começa a ter sintomas de estafa.” [...] Para que isso não aconteça, é necessário encontrar limites. “Você pode vestir a camisa do seu trabalho, desde que vista também o seu pijama e uma roupa para fazer atividade física. Ou seja, que você se inclua em sua agenda”, diz a jornalista e escritora [do livro "Dá um tempo: como encontrar limites num mundo sem limites"] Izabela.
O papel das companhias que querem ser humanas e socialmente responsáveis é mostrar aos empregados que deve, sim, existir vida além do trabalho. E que cada funcionário é uma pessoa complexa, com necessidades, emoções, expectativas e vulnerabilidades. “Se a empresa não olhar para isso, a conta não vai fechar. Não há RH que consiga trabalhar com um grupo de pessoas adoecidas e que não encontram propósito”, diz Raquel, [líder de saúde populacional e corporativa] do [Hospital Israelita Albert] Einstein. Essa conta precisa fechar com urgência — e com equilíbrio mental.